terça-feira, 10 de novembro de 2009

PERDIDA, ENCANDESCENTE

Estou sedenta de qualquer coisa.
Água, talvez sexo.
Pintei o cabelo de negro
em busca do brilho que me envaidece.

Esta sedoso.
Solto.
Brilham-me os olhos quando me vejo nua,
ao espelho.
Quero que me toques.
Que me beijes a boca salivante.
Que me bebas.
Que me arrebates.
Não tenho pudores que me vejas assim.
Toca-me anda!
Vem comigo até à cama
e torna-me senhora de ti!
.
Spell Friend Witch

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ALFONSINA Y EL MAR

Gosto imensamente da música e da poesia latino americana."Alfonsina y el mar", em melodia triste e letra doce, nos conta sobre a tristeza da grande poetiza Alfonsina Storni. Para mim Mercedes Sosa soube como ninguém, na sua interpretação, transferir para minha'alma um pouco da triste história de Alfonsina.
Por la blanda arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma
Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola
Te vas Alfonsina
Con tu soledad¿
Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sl
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar
Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado
Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma
Nodriza, en paz
Y si llama él
No le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él
No le digas nunca que estoy
Di que me he ido
Te vas Alfonsina
Con tu soledad¿
Qué poemas nuevos
Fueste a buscar?
Una voz antigua
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar
.
Felix Luna e Ariel Ramirez

********************

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Pela branda areia
que lambe o mar
suas pequenas pegadas
não voltam mais.
Uma senda só
de pena e silêncio chegou
até a água profunda.
Uma senda só de penas mudas chegou
até a espuma.
Sabe Deus que angústia
te acompanhou!
Que dores velhas calou tua voz
Para a fazer querer se recostar
sussurrado no canto dos caracóis marinhos.
A canção que canta
no fundo escuro do mar
O caracol.
Você vai embora, Alfonsina,
Com a sua solidão.
Que poemas novos
você foi buscar?
Uma voz antiga
De vento e de sal
balança a alma
e a está levando.
E você vai pra lá
Como nos sonhos.
Adormecida Alfonsina,
Vestida de mar.
Cinco pequenas sereias
te levarão por caminhos de algas
e de coral
e fosforescentes
cavalos marinhos farão
uma ronda a teu lado
e os habitantes
da água vão jogar
bem ao teu lado.
Abaixe a luz da lâmpada
um pouco mais.
Me deixe dormir,minha ama, em paz
E se me chamarem,
não diga nunca que eu estou
Diga que eu já fui embora.
Você vai embora, Alfonsina,
Com a sua solidão.
Que poemas novos
você foi buscar?
Uma voz antiga
De vento e de sal
balança a alma
e a está levando.
E você vai pra lá
Como nos sonhos.
Adormecida Alfonsina,
Vestida de mar.
.
Felix Luna e Ariel Ramirez

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

NÃO QUERO NEM VER



não quero nem ver a hora em que ele chegar
e perceber que os objetos de que mais gostava
estão amontoados no canto da sala
que os seus cedês preferidos
estão empilhados sem ordem
e seus livros adormecem
numa caixa de papelão sem cor
que os seus quadros tristes
estão encostados na parede
.
não quero nem ver quando ele perguntar
de suas camisetas desbotadas
que usava para ficar em casa
e se deitar na cama comigo
que meus lençóis estão com outro cheiro
o travesseiro tem outra forma
e na geladeira nova marca de cerveja
.
não quero nem ver
quando ele perguntar do nosso gato
e souber que está aninhado em outro colo
.
não quero nem ver quando ele descobrir
que os meus olhos brilham mais
e que minha boca tem um outro sorriso.
.
Adriana Godoy
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sábado, 31 de outubro de 2009

SE EU TE AMO

Se eu te amo no tapete da sala,
e estrelas escorrem desse céu de veludo,
é que desnudo está o meu corpo
sob o teu,
você é a noite.
Se eu te amo na poesia
que as tuas mãos desenham,
e fortes se empenham
na alforria das palavras,
é que desnudo está o meu ouvido
na euforia dos teus encantos,
eu sou o poema.
Se eu te amo no gemido,
do fonema em mim despido,
você é a canção.
Se eu te amo e nunca lhe disse,
me faço nua,nessa minha (re)"leitura"
.
Luciane


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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SEMPRE, DE VEZ EM QUANDO


Toda vez que amanheço
de porre, sem ter bebido,
é prenuncio de tempestades.
Os calos não doem
com a mudança do tempo,
mas meu coração dispara
e o olfato fica mais aguçado
que faro de perdigueiro.
Nestas horas,
não adianta ninguém me dizer
que "viver é experimentar",
porque o máximo que eu consigo
é avaliar as avarias
causadas pelos arpões.
.
Leila Míccolis

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sábado, 24 de outubro de 2009

SOLIDÃO


Ando as tantas inventando novas viagens.
Cansei de olhar ao redor e não enxergar.
Dias atrás estive não sei onde.
E lá aonde tudo era perfeito pari outra.
Agora ela persegue os meus mundos
Estou voltando para o enigmático deserto.
Lá os crimes são perfeitos: pó a pó.
Basta de fantasias, ela que se afogue areia.
Sou medusa dos meus próprios reinos.

Eliane Alcântara.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

POEMA DE AMOR



Al perderte yo a ti tú y yo hemos perdido:
yo porque tú eras lo que yo más amaba
y tú porque yo era el que te amaba más.
Pero de nosotros dos tú pierdes más que yo:
porque yo podré amar a otras como te amaba a ti
pero a ti no te amarán como te amaba yo.
.
Ernesto Cardenal

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Ao perder-te eu a ti tu e eu teremos perdido.
Eu, porque tu eras o que eu mais amava;
tu, porque era eu que te amava mais.
Mas, de nós dois tu perdes mais do que eu.
Porque eu poderei amar a outras como amava a ti,
Mas a ti não te amarão mais do que te amava eu!
.
Ernesto Cardenal

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

BOCA


Boca é entrada,
Chave de todos os recatos.
Do gosto, no rosto, de todos os sabores.
Do medo, no seio, de todos os pudores.
Do vício, no cio, de todos os pecados.
.
Boca é surpresa,
Caixa mágica de todos os delírios.
Do arrepio, no toque, das carnes trêmulas.
Do desafio, no começo, dos recantos escondidos.
Da procura, no escuro, de todos os resquícios.
.
Boca é jazigo,
Túmulo inviolável das individualidades.
Do selo, na saliva, dos fluidos pessoais.
Do lacre, na mordida, das marcas digitais.
Do sacro, na súplica, da saciedade.
.
Boca é sedução,
É a fonte de todos os desejos.
Do sexo, animal, de dentes afiados.
Da carne, sensual, de ventres inflamados.
Do amor, integral, que revive a cada beijo.
.
Lilian Maial

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

GUARDO AS LÁGRIMAS


Guardo as lágrimas para uma ocasião especial.
Prefiro a revolta sólida
À tristeza líquida visível a quem me olha.
Prefiro-me zangada
A passivamente lavada em lágrimas e em auto-comiseração.
Se sobrevivi
Foi porque quando magoada não chorei
Porque de tão quente que era a dor me secou as lágrimas
E queimou os olhos
Quando derrubada não me lamentei
Mas da dor fiz músculo, revolta, força
E de mim me ergui
E a mim me levantei.
Guardo as lágrimas para uma ocasião especial
Como quem guarda um segredo vergonhoso
Não um bem precioso.
E enfrento o mundo de olhos secos
Desafiando a vida, puta predadora,
A conseguir fazer-me chorar.
.
Encandescente

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

MAL SECRETO

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
.
Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
.
Quanta gente que ri, talvez, consigo

Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
.

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
.
Raimundo Correa

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