sábado, 23 de janeiro de 2010

ACALANTO


Vai amado.
Busca por onde quiseres,
com quem quiseres,
como quiseres,
o prazer.
Até mesmo,
aquele prazer que um dia
alguém apelidou de amor.
E, se por acaso te cansares e,
do compromisso que um dia nos uniu te lembrares,
se desejares, volta.
Serei a que conforta.
Não saberás da dor, da saudade,
das lágrimas sentidas que tua ausência causou.
.
Ada Ciocci

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

AMOR DISTANTE


Vivo a vida, a sonhar
Por alguém, sempre distante a amar
Quase no além, de meu pensar
Vestindo a máscara da ilusão
Vou seguindo meu caminho
Sem direção, confortando meu coração
Este pobre, sempre em desalinho
Mais uma triste desilusão
Mais uma flecha do desengano
Coração dilacerado, aos pedaços no chão
Humildemente, ajoelhada, junto os caquinhos
Suavemente... com minhas mãos
Vou colando com minhas fantasias
Justificando à ele, o coração, a ilusão
Prometendo um novo amor
Fazendo silêncio à razão
Sem verter lágrimas de dor
Sem distância a separar
Que, então será como o sonhar
Como um cavalheiro ao luar
Sem demora em arrebatar
Sem dar chance a razão
De agir com sensatez
Prometendo, ficar junto desta vez
.
Diana Lima


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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AVIDEZ


Não é só amor que sinto por ti
É vontade de rasgar o peito
Para te prender
Para te guardar dentro de mim.
Não é só desejo
Que procuro saciar no teu corpo
Mas fome
Uma fome carnal e primitiva por isso o beijo o mordo
E mato a sede
Sorvendo a tua pele.
Não é só prazer
Quando me penetras
Mas vontade de te colar a mim
Por isso cerro as pernas
Neste amplexo
Que te retém e te demora.
Não é só êxtase
Orgasmo
Naquele momento final
Mas sim
Fome, sede
Amor, prazer, dor
E esta angústia dos dias
Em que morro sem ti.
.
Encandescente

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domingo, 3 de janeiro de 2010

TENHO


Tenho-te em tuas umidades,
no calor do teu abraço e nas gotas de suor
ue se espalham pelo teu corpo.
Tenho-te em tua pele lisa,
teus cabelos colados, teus pêlos grudados,
teu visgo, tuas águas, teus caminhos de charcos,
os pequenos rios no teu pescoço,
o sabor salgado do lóbulo da tua orelha,
tua testa brilhante, tuas narinas abertas, tuas pupilas dilatadas.
Tenho-te em alta temperatura misturado a mim,
confundido em líquidos e sumos, sede e fonte,
mar em onda, céu de chuva.
Tenho-te emaranhado e deslizante,
em vapor e respingos, em poros abertos,
em cheiro de bicho, em cio de gente.
Tenho-te na língua que colhe o gosto,
nos lábios que escorregam,
na boca que dança lúbrica por frestas molhadas
e se embriaga de essências profundas,
de perfumes e cansaços.
Tenho-me docemente embebida por ti.
.
Ticcia



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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

DESEJO

AMIGOS!
Eu queria escolher um poema de Ano Novo que fosse realmente novo mas não achei.
Então lembrei do poema de Victor Hugo que somente deseja coisas boas as pessoas
e é exatamente isso que desejo a vocês.

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
.
E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
.
Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
.
Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro,
não insista em rejuvenescer
E que sendo velho,
não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
.
Desejo por sinal que você seja triste,

Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,

Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,

Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
.
Desejo por fim que você sendo homem,

Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
.
E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.
.
Victor Hugo

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL



Dorme um Deus-Menino entre etiquetas
e lá fora explodem rolhas de champanhe.
No gráfico de vendas se encapelam
as ondas da maré de mercancia.
Camuflado, barbas brancas, Papai Noel
executa promissórias de crediário.
A piedade vira embrulhos
neste Natal sem manjedouras.
Lá no fundo de seu quarto,
fumando o último cigarro,
Deus contempla os homens com infinita melancolia:
- Que fuzarca foram fazer logo no meu aniversário!

.
Luiz Coronel

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

POEMA DO AMOR APOSENTADO


Não tenho mais anseio
sesperando pela sua volta,
remoendo angústias,
pensamentos,
amontoando saudades no peito,
inventando histórias absurdas
movido pelos ciúmes.
.
Acabou-se o tempo de lhe trazer flores,
doce de leite, bom-bocado, brigadeiro,
queijadinha, musse de maracujá,
sorvete.
Revista de moda
com a moda da última estação.
.
Nem o calendário olho mais daquele jeito
em desespero
quando viajava para a casa da sua mãe.
Acho que meu coração se acomodou,
ou foi o fogo que apagou,
ou eu que me cansei.
.
Sei lá.
.
Zeca Corrêa Leite

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

IMPERATIVO


Quero a luz.
Diz onde encontrar. Faz
eu perceber.
.

Quero ser.
Diz aonde ir.
.

Quero ver.
Faz eu enxergar.
.

Quero ir.
Faz eu caminhar.
.

Quero ter.
Diz como querer.
.

Quero rir.
Diz quando vai ser.
.
Vou morrer.

Diz que é para eu
ficar.
.
Nalu Nogueira

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sábado, 12 de dezembro de 2009

AULA DE MATEMÁTICA


Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,

Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade

Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar

Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.
.
Antonio Carlos Jobim & Marino Pinto

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

BANALIDADES


Deito a cabeça no teu peito
Enrolada nos teus braços
E desfio com os dedos na tua pele
As banalidades que fizeram o meu dia
E tudo se torna importante
Porque nada é banal
Quando dito na tua pele
Desfiado no teu peito
Enrolada nos teus braços.
.
Encandescente

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

QUASE PERFEITO


Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero
.

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
.
Quase que não recebia
A prenda prometida
quase que não devia
Existir tal companhia
.
Não me lembras o céu

Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
em nada que se escureça
.
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça
.
Se um beijo é quase perfeito

Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito
.

Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito
.

Donna Maria
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DOA-SE


Coração adestrado

com pedrigree, vacinado,

só não obedece a dona.

.

Lilian Maial
(adap.)

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domingo, 22 de novembro de 2009

MULTIDÃO


Um folha tomba do plátano
um frêmito sacoce o cimo do cipreste,
És tu que me chamas.
.
Olhos invisíveis sulcam a sombra,
penetram-me como à parede os pregos,
És tu que me fitas.
.
Mãos invisíveis nos ombros me tocam,
para as águas dormentes do lago me atraem,
És ti que me queres.
.
De sob as vértebras com pálidos toques ligeiros
a loucura sai para o cérebro,
És tu que me penetras.
.
Não mais os pés pousam na terra,
não mais pesa o corpo nos ares,
transporta-o a vertigem obscura,
És tu que me atravessas, tu.
.
Ada Negri


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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PARTIDA

Meu querido
Deitei-me silenciosamente na cama quando já dormias,
queria de ti o teu cheiro e partir.
Não queria levar-te nas mãos ou nos olhos.
Cega ficaria a todos os outros que pudesse encontrar se te levasse nos olhos, e nenhum outro poderia tocar se te guardasse nas mãos.
Queria só o teu cheiro.
E serias tu em cada homem que eu amasse, e serias tu em cada homem que eu tocasse. Esquecidos que estariam o teu rosto e o teu corpo. Apagados que estariam dos meus sentidos os teus.
Queria só o teu cheiro, mas acordaste … E olhaste-me, tocaste-me, tomaste-me na boca, aspiraste os meus odores, e guardaste-os em ti.
Para ti.

Parti, quando saciado adormeceste.
Parti sem sentidos, porque de mim tu os tomaste.

Hoje longe de ti caminho.
Sabendo sempre onde estás.
Sabendo sempre onde estou.



Encandescente



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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DECLARAÇÃO DE AFETO


Recebi esta linda Declaração de Afeto, da minha querida amiga Silvia, que sempre esta presente no meu blog, com seu carinho, atenção e afeto.

Devo repassar para atér 10 amigos, e avisá-los do presente e desta forma, formarmos uma linda corrente de afeto.

Meus escolhidos são:

  • Adolfo Payés - Poemas
  • Entre um Café e um Bate Papo
  • Serei@
  • Toque D'alma
  • Tigan's Blog
  • Diário de um Romantico
  • Bloggolb
  • El amor es...
  • Pedaços de Mim
  • Coisas assim


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domingo, 15 de novembro de 2009

AMOR BASTANTE


quando eu vi você
tive una idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante.
.
basta um instante
e você tem amor bastante.
.
Paulo Leminski

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ACONCHEGAR


Aconchegar-me em seu peito,
como se protegido por asas, eu quero.
Faz frio, a noite é abissal e ameaçadora,

mas seu braço é todo suavidade e acolhimento.
.
Deixa-me ficar assim como forasteiro
encolhido entre lenha, fogões e cinzas,
sonhando com dias de caminhos percorridos.
.
Prometo não volver meu olhar ao seu,
ficarei quietinhao na amplidão da madrugada,
no líquido dos sonos,
respirando à beira dos segredos,
indiferente a eternidade que rola
nas cachoeiras do céu.
.
Tudo o que peço é ficar aqui
próximo do coração e da alma,
acariciando com mãos de esquecimento
a maciez do repouso.
.
Zeca Corrêa Leite

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

PERDIDA, ENCANDESCENTE


Estou sedenta de qualquer coisa.
Água, talvez sexo.
Pintei o cabelo de negro
em busca do brilho que me envaidece.

Esta sedoso.
Solto.
Brilham-me os olhos quando me vejo nua,
ao espelho.
Quero que me toques.
Que me beijes a boca salivante.
Que me bebas.
Que me arrebates.
Não tenho pudores que me vejas assim.
Toca-me anda!
Vem comigo até à cama
e torna-me senhora de ti!
.
Spell Friend Witch

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ALFONSINA Y EL MAR

Gosto imensamente da música e da poesia latino americana."Alfonsina y el mar", em melodia triste e letra doce, nos conta sobre a tristeza da grande poetiza Alfonsina Storni. Para mim Mercedes Sosa soube como ninguém, na sua interpretação, transferir para minha'alma um pouco da triste história de Alfonsina.
Por la blanda arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma
Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola
Te vas Alfonsina
Con tu soledad¿
Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sl
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar
Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado
Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma
Nodriza, en paz
Y si llama él
No le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él
No le digas nunca que estoy
Di que me he ido
Te vas Alfonsina
Con tu soledad¿
Qué poemas nuevos
Fueste a buscar?
Una voz antigua
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar
.
Felix Luna e Ariel Ramirez

********************

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Pela branda areia
que lambe o mar
suas pequenas pegadas
não voltam mais.
Uma senda só
de pena e silêncio chegou
até a água profunda.
Uma senda só de penas mudas chegou
até a espuma.
Sabe Deus que angústia
te acompanhou!
Que dores velhas calou tua voz
Para a fazer querer se recostar
sussurrado no canto dos caracóis marinhos.
A canção que canta
no fundo escuro do mar
O caracol.
Você vai embora, Alfonsina,
Com a sua solidão.
Que poemas novos
você foi buscar?
Uma voz antiga
De vento e de sal
balança a alma
e a está levando.
E você vai pra lá
Como nos sonhos.
Adormecida Alfonsina,
Vestida de mar.
Cinco pequenas sereias
te levarão por caminhos de algas
e de coral
e fosforescentes
cavalos marinhos farão
uma ronda a teu lado
e os habitantes
da água vão jogar
bem ao teu lado.
Abaixe a luz da lâmpada
um pouco mais.
Me deixe dormir,minha ama, em paz
E se me chamarem,
não diga nunca que eu estou
Diga que eu já fui embora.
Você vai embora, Alfonsina,
Com a sua solidão.
Que poemas novos
você foi buscar?
Uma voz antiga
De vento e de sal
balança a alma
e a está levando.
E você vai pra lá
Como nos sonhos.
Adormecida Alfonsina,
Vestida de mar.
.
Felix Luna e Ariel Ramirez

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

NÃO QUERO NEM VER



não quero nem ver a hora em que ele chegar
e perceber que os objetos de que mais gostava
estão amontoados no canto da sala
que os seus cedês preferidos
estão empilhados sem ordem
e seus livros adormecem
numa caixa de papelão sem cor
que os seus quadros tristes
estão encostados na parede
.
não quero nem ver quando ele perguntar
de suas camisetas desbotadas
que usava para ficar em casa
e se deitar na cama comigo
que meus lençóis estão com outro cheiro
o travesseiro tem outra forma
e na geladeira nova marca de cerveja
.
não quero nem ver
quando ele perguntar do nosso gato
e souber que está aninhado em outro colo
.
não quero nem ver quando ele descobrir
que os meus olhos brilham mais
e que minha boca tem um outro sorriso.
.
Adriana Godoy
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